Investigadores suspeitam que repasses milionários destinados a documentário sobre Jair Bolsonaro tenham financiado despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em solo americano.
A Polícia Federal (PF) estuda acionar as autoridades dos Estados Unidos para solicitar a quebra do sigilo bancário e fiscal de um fundo de investimentos sediado no estado do Texas. A medida faz parte do desdobramento das investigações do chamado “Caso Dark Horse”, que apura possíveis irregularidades no financiamento de um filme documental focado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O alvo principal da investida internacional é o Havengate Development Fund LP, entidade jurídica utilizada para centralizar os aportes financeiros do projeto cinematográfico. A desconfiança das autoridades brasileiras ganhou força após a identificação de que o fundo tem como um de seus responsáveis legais o advogado Paulo Calixto, profissional que já atuou na defesa do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro em processos migratórios nos Estados Unidos.
A principal linha de apuração da Polícia Federal indica que os recursos direcionados ao fundo pelo empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, podem ter extrapolado os custos de produção do filme. Os investigadores trabalham com a hipótese de que os valores tenham sido desviados para custear a manutenção e as despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro em território americano, além de potencialmente subsidiar campanhas de interlocução política junto a parlamentares e autoridades em Washington para a aplicação de sanções contra instituições brasileiras.
Dados preliminares apontam que o acordo inicial previa um investimento total de R$ 134 milhões por parte de Vorcaro. Deste montante, transações comprovadas indicam o repasse de pelo menos R$ 60 milhões por meio da empresa Entre Investimentos, cuja holding controladora foi liquidada pelo Banco Central no início deste ano. Mensagens interceptadas revelaram pressões políticas exercidas pelo senador Flávio Bolsonaro para que o empresário priorizasse os repasses para o fundo norte-americano em detrimento de outros compromissos comerciais.
Para que o pedido de cooperação internacional e quebra de sigilo avance, a Polícia Federal necessita de autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF). A cúpula da corporação avalia se as novas diligências serão anexadas aos inquéritos já existentes sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes ou se ensejarão a abertura de um inquérito autônomo. Em contrapartida, as defesas dos envolvidos negam qualquer tipo de irregularidade, sustentando a licitude dos contratos de direitos de imagem e questionando a competência jurídica da atual relatoria dos processos no STF.
