Prefeitura alega que custos atuais são de empresa privada, mas antecipação dos serviços gera questionamentos sobre transparência no processo licitatório.
A cidade de Santo Antônio de Jesus, conhecida como a “Capital do São João” na Bahia, está no centro de uma polêmica envolvendo os gastos com a decoração para os festejos juninos de 2026. A montagem das tradicionais bandeirolas e estruturas decorativas foi iniciada nas principais vias da cidade antes mesmo da conclusão do processo licitatório, que prevê um investimento de R$ 1,9 milhão para os serviços de ornamentação.
A antecipação dos trabalhos chamou a atenção de moradores e órgãos de fiscalização, uma vez que a execução de serviços públicos sem um contrato formalizado pode configurar irregularidade administrativa. O valor expressivo da licitação — focado exclusivamente na parte decorativa — já vinha sendo acompanhado de perto pela oposição local, que questiona a prioridade dos gastos diante de outras demandas do município.
Em nota, a Prefeitura de Santo Antônio de Jesus negou qualquer irregularidade. A gestão municipal afirmou que a montagem inicial está sendo custeada por uma empresa privada, em caráter de demonstração ou parceria, e que o erário público só será utilizado após a homologação oficial da empresa vencedora do certame. Segundo a prefeitura, a meta é garantir que a cidade esteja pronta para receber os turistas a tempo, mantendo a tradição de ser um dos destinos mais procurados do estado no período junino.
Apesar da justificativa oficial, o caso levantou debates sobre a transparência e a lisura dos processos de contratação para o São João. Especialistas em gestão pública alertam que o início de obras ou serviços antes da assinatura do contrato pode sugerir um “direcionamento” da licitação, o que deve ser alvo de análise por parte do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Enquanto isso, as bandeirolas continuam a ser instaladas, dividindo as opiniões entre os que celebram o clima de festa e os que cobram maior rigor com o dinheiro público.
