Esquema utilizava o fluxo de insumos médicos e atendimentos de saúde para introduzir entorpecentes e celulares no complexo penitenciário; Seap investiga conivência interna.
Uma investigação conjunta entre as forças de inteligência policial e a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) desarticulou um esquema sofisticado utilizado por uma facção criminosa para abastecer as celas de um importante presídio na Bahia. Os criminosos conseguiram identificar e explorar uma vulnerabilidade nos protocolos de segurança do setor de saúde da unidade para transportar drogas, aparelhos celulares e outros materiais ilícitos para o interior do complexo.
O modus operandi da organização criminosa consistia em aproveitar o trâmite de insumos médicos, a entrega de medicamentos contínuos e o deslocamento de internos para a enfermaria. Os entorpecentes eram minuciosamente camuflados no interior de caixas de remédios com lacres adulterados, materiais de curativo e até mesmo em equipamentos hospitalares de uso frequente. Por possuírem uma rotina de vistoria historicamente menos agressiva devido à natureza dos itens de saúde, as remessas passavam pelos pontos de controle sem levantar suspeitas imediatas.
A descoberta do esquema acendeu o sinal de alerta no governo do estado, que determinou a abertura imediata de uma sindicância interna. Os investigadores apuram se profissionais terceirizados ou servidores da área de saúde do presídio estavam sendo coagidos pela facção ou se atuavam ativamente em troca de propina para facilitar a entrada dos carregamentos. Vários depoimentos já foram colhidos e o monitoramento das câmeras de segurança das alas médicas foi intensificado para identificar todos os elos da engrenagem criminosa.
Como resposta imediata ao escândalo, a direção prisional implementou novos e rigorosos critérios de inspeção para qualquer item destinado às enfermarias e ambulatórios. A partir de agora, todos os medicamentos e insumos médicos passarão por triagem via raio-X de alta resolução e inspeção manual detalhada por equipes especializadas, operando de forma isolada dos funcionários habituais do setor de saúde para evitar qualquer tipo de facilitação.
Principais Pontos da Investigação:
- A Exploração da Brecha: A facção aproveitava o fluxo humanitário e médico de entrega de remédios para camuflar pacotes de drogas e chips de celular.
- Apuração de Conivência: A polícia e a Seap investigam a participação ou facilitação por parte de funcionários da unidade ou prestadores de serviço do setor de saúde.
- Endurecimento de Protocolos: Novas regras de segurança passam a exigir varredura por aparelhos de scanner e auditoria em todas as receitas e insumos hospitalares que entram no presídio.
