Doença grave transmitida por roedores silvestres apresenta sinais iniciais idênticos aos de um resfriado comum, atrasando o diagnóstico essencial.
O alerta emitido por infectologistas e autoridades de saúde acende um sinal de perigo para a população: a infecção por hantavírus pode ser facilmente confundida com uma gripe forte ou um resfriado comum em seus dias iniciais. Essa semelhança sintomática representa um risco gravíssimo, uma vez que o hantavírus é uma doença de evolução rápida e com alta taxa de letalidade se não for tratada de forma imediata e adequada em ambiente hospitalar.
A transmissão do hantavírus ocorre principalmente por meio da inalação de aerossóis formados a partir de urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. Ambientes fechados que ficaram muito tempo desabitados, galpões, depósitos e áreas rurais são os locais com maior probabilidade de exposição. Na fase inicial, o paciente apresenta febre alta, dores musculares intensas (especialmente nas costas e coxas), dor de cabeça, calafrios e fraqueza — um quadro clínico que mimetiza perfeitamente a influenza.
O grande perigo reside na transição para a fase seguinte da doença, conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Em questão de poucos dias, o vírus ataca o sistema respiratório, provocando tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos, queda na pressão arterial e uma severa falta de ar causada pelo acúmulo de líquido nos pulmões. Quando o paciente percebe que não se trata de uma gripe comum e busca o pronto-socorro, o estado de saúde já pode ser crítico, exigindo suporte de oxigênio e internação em UTI.
Não existe um tratamento antiviral específico para o hantavírus; as medidas médicas concentram-se no suporte dos sintomas e na manutenção das funções vitais do organismo enquanto ele combate a infecção. Por isso, especialistas reforçam que pessoas que moram ou visitaram áreas rurais e locais com presença de roedores devem informar esse histórico imediatamente ao médico caso apresentem sintomas gripais. A prevenção envolve manter a casa e o entorno limpos, evitar varrer locais fechados que apresentem fezes de ratos (optando pelo uso de água sanitária para umedecer e desinfetar o ambiente antes da limpeza) e garantir o armazenamento correto de alimentos.
