Artista, que morreu aos 81 anos após convulsão seguida de pneumonia, ajudou a consolidar o reggae no estado, teve parcerias com Olodum e Margareth Menezes, e tinha uma filha nascida em Salvador.
O ícone jamaicano do reggae, Jimmy Cliff, que morreu aos 81 anos devido a uma convulsão seguida de pneumonia, deixou um legado profundo na Bahia, interrompendo um vínculo cultural, musical e pessoal que atravessou décadas. Cliff foi um catalisador na popularização do reggae no estado e manteve fortes laços com artistas locais. Sua conexão com a Bahia era tão íntima que sua filha, Nabiyah Be, nasceu em Salvador, fruto de seu relacionamento com a artista visual brasileira Sônia Gomes.
Um Vínculo Musical e Cultural
A ligação de Jimmy Cliff com Salvador se iniciou no final dos anos 1970, com o artista retornando diversas vezes ao estado. Na década de 1980, ele realizou uma grande turnê no Brasil, escolhendo o baiano Gilberto Gil como atração de abertura e chegando a cantar para 60 mil pessoas na capital.
Nos anos 1990, o vínculo se aprofundou. Cliff gravou trechos do álbum Breakout (1992) na Bahia e consolidou uma forte parceria com o Olodum, participando do Femadum. O grupo lamentou sua morte, destacando o legado de “diálogo entre povos, defesa da paz, valorização das raízes e afirmação cultural”.
Sua influência se estendeu a outras bandas. Ele gravou com o Araketu e deu projeção internacional a uma composição local ao interpretar “Me Abraça e Me Beija” (de Gileno Felix e Lazzo Matumbi) no álbum Kindala, de Margareth Menezes.
O “Jamaicano-Tricolor”
A paixão de Jimmy Cliff pela cultura baiana se estendeu até o futebol. Em 1991, ele assistiu a uma rodada dupla na Fonte Nova e, mesmo não sendo inicialmente um entusiasta do esporte, adotou o Bahia como seu time no Brasil. O Esquadrão de Aço prestou homenagem ao cantor, lamentando o falecimento do “jamaicano-tricolor”.
