Ofensiva da Polícia Federal investiga o aprofundamento das fraudes contábeis, a conivência de instituições financeiras e a prática de insider trading antes da revelação do rombo.
A Polícia Federal deflagrou uma nova e contundente fase das investigações sobre a fraude bilionária na varejista Americanas. A operação, autorizada pela Justiça Federal, resultou no bloqueio recorde de R$ 5,4 bilhões em bens e ativos dos investigados. Esta nova etapa eleva o patamar da apuração ao mirar diretamente a possível participação, omissão ou conivência de acionistas de referência bilionários, além do envolvimento de grandes instituições financeiras que atuavam em parceria com a empresa.
De acordo com fontes ligadas à investigação, a PF busca esclarecer se os principais acionistas e membros do conselho de administração tinham conhecimento prévio da manipulação sistemática dos balanços financeiros antes do anúncio do rombo contábil de mais de R$ 20 bilhões. A linha de frente da apuração foca no crime de insider trading (uso de informação privilegiada), rastreando a venda expressiva de ações por parte de executivos e pessoas ligadas ao topo da pirâmide corporativa meses antes de o escândalo vir a público, o que evitou prejuízos individuais massivos à custa do mercado.
Outro ponto central da ofensiva é o papel dos bancos parceiros. A Polícia Federal apura se as instituições financeiras facilitaram ou camuflaram intencionalmente as operações de “risco sacado” — manobra utilizada para esconder o endividamento real da companhia sob a rubrica de contas de fornecedores. Auditorias independentes e e-mails apreendidos apontam que cartas de circularização e relatórios de auditoria foram adulterados para enganar agências de classificação de risco, investidores e o mercado regulador, mantendo artificialmente a valorização dos papéis da varejista.
Destaques da Investigação:
- Bloqueio Bilionário: O congelamento de R$ 5,4 bilhões visa garantir o futuro ressarcimento de credores e milhares de acionistas minoritários lesados pelo esquema.
- Risco Sacado na Mira: Bancos e executivos financeiros são investigados por emitirem declarações que omitiam a real situação de endividamento da varejista em operações de crédito.
- Informação Privilegiada: A PF mapeia movimentações atípicas no mercado de capitais para punir criminalmente quem lucrou ou evitou perdas sabendo do colapso iminente da empresa.
