Sediada em Santa Rosa, tradicional marca de erva-mate com mais de 80 anos de história encerra atividades após esgotar tentativas de reestruturação financeira.
O mercado do agronegócio e de bebidas tradicionais da região Sul do país sofreu um duro golpe com o encerramento definitivo das atividades da Ervateira Vier. Com uma trajetória que atravessou mais de oito décadas, a tradicional empresa, que mantinha sua sede e principal operação na cidade de Santa Rosa, teve sua falência decretada oficialmente pela Justiça. A decisão judicial foi proferida após o esgotamento de todas as alternativas de reestruturação financeira e a constatação da inviabilidade de continuidade do negócio.
Fundada em meados do século passado, a Ervateira Vier construiu uma marca sólida, tornando-se uma das principais referências na produção e comercialização de erva-mate. Ao longo de sua história, a companhia foi responsável pelo sustento de centenas de famílias de produtores locais e pela geração de empregos diretos e indiretos na região de Santa Rosa. Contudo, nos últimos anos, a organização passou a enfrentar sérios problemas decorrentes da forte concorrência no setor, mudanças nas dinâmicas de distribuição e sucessivas crises macroeconômicas que asfixiaram seu fluxo de caixa.
O passivo total acumulado que levou à quebra da instituição está estimado em R$ 50 milhões. Essa dívida expressiva engloba compromissos não honrados com instituições financeiras, fornecedores estratégicos de matéria-prima e, majoritariamente, obrigações trabalhistas com ex-colaboradores. Com a decretação da falência, as operações industriais e comerciais foram totalmente paralisadas.
A partir de agora, a administração dos bens remanescentes da empresa passa para as mãos de um administrador judicial nomeado. Este profissional será encarregado de realizar o levantamento, a avaliação e o subsequente leilão de todo o patrimônio tangível e intangível da Ervateira Vier — incluindo maquinários, imóveis e o direito de uso da própria marca. Os recursos arrecadados nos leilões serão destinados à quitação dos compromissos com os credores, seguindo a ordem de preferência estipulada pela legislação falimentar brasileira.
O colapso de uma marca com tamanha relevância histórica gerou forte repercussão entre especialistas em economia, sindicatos e representantes do setor produtivo regional. Analistas apontam que o caso serve como um alerta sobre a necessidade de modernização precoce de indústrias tradicionais e sobre o peso do atual cenário de juros elevados e crédito restrito, que dificulta a sobrevivência de marcas históricas em momentos de transição de mercado.
Destaques do Processo de Falência:
- Origem da Empresa: Fundada há mais de 80 anos, com forte vínculo socioeconômico na cidade de Santa Rosa.
- Montante do Passivo: Dívidas acumuladas na ordem de R$ 50 milhões, envolvendo bancos, fornecedores e direitos trabalhistas.
- Próximos Passos: Paralisação total das atividades e início da arrecadação de bens para a realização de leilões judiciais.
