Nova rodada de negociações tenta alinhar propostas de reajuste e evitar a paralisação do sistema de transporte público na capital baiana.
O Sindicato dos Rodoviários de Salvador e os representantes das empresas de transporte urbano (Integra) realizam uma nova rodada de negociações para tentar por fim ao impasse que ameaça paralisar o transporte público na capital. A categoria, que já aprovou o estado de greve em assembleias recentes, cobra um reajuste salarial acima da inflação, melhorias nas condições de trabalho e a manutenção de conquistas históricas da convenção coletiva, como o valor do tíquete-alimentação.
O clima entre as partes é de forte tensão, dado o distanciamento entre a proposta oferecida pelo patronato e as exigências apresentadas pelos trabalhadores. Os empresários alegam que o sistema de transporte coletivo de Salvador enfrenta uma grave crise financeira, agravada pelo aumento dos custos operacionais, como o óleo diesel, e defendem que um reajuste elevado comprometeria o equilíbrio econômico das empresas e a prestação do serviço.
Por outro lado, o sindicato dos trabalhadores argumenta que o poder de compra da categoria foi severamente corroído nos últimos anos e que as jornadas de trabalho têm sido exaustivas devido à redução da frota e do número de rodoviários nas garagens. A categoria sinalizou que, caso as negociações terminem sem um acordo nesta nova reunião, uma greve geral por tempo indeterminado poderá ser deflagrada nos próximos dias, cumprindo os prazos legais de aviso prévio à população.
A Prefeitura de Salvador acompanha de perto as discussões por meio da Secretaria de Mobilidade (Semob), atuando como mediadora para tentar encontrar um ponto de equilíbrio e evitar o colapso no deslocamento diário de milhares de cidadãos. Equipes de fiscalização e planos de contingência já estão sendo desenhados para mitigar os impactos caso os ônibus urbanos parem de circular, mas o foco total das autoridades continua sendo a assinatura de um acordo consensual entre rodoviários e patrões.
