Investigação revela esquema sofisticado onde criminoso utilizava registros falsos para acessar processos sigilosos e beneficiar líderes de grupos armados.
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação estratégica nesta sexta-feira (24) para desarticular um esquema de infiltração criminosa no sistema judiciário brasileiro. O alvo principal é um indivíduo que se passava por advogado, utilizando credenciais falsas ou de terceiros, com o objetivo de obter informações privilegiadas e sigilosas em benefício de facções criminosas que atuam no tráfico de drogas e em crimes violentos.
A investigação aponta que o falso causídico conseguia acessar o sistema de Processo Judicial Eletrônico (PJe) e outras plataformas restritas aos operadores do Direito. De posse desses acessos, ele monitorava o andamento de mandados de prisão, ordens de busca e apreensão e até interceptações telefônicas que ainda não haviam sido executadas. Essas informações eram repassadas em tempo real para as lideranças das facções, permitindo que criminosos fugissem ou destruíssem provas antes da chegada das forças de segurança.
A operação busca cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados ao suspeito e a possíveis cúmplices. A Polícia Federal identificou que o esquema contava com uma estrutura tecnológica para camuflar o rastro digital dos acessos, mas a inteligência cibernética da corporação conseguiu rastrear as conexões irregulares. Além do exercício ilegal da profissão, o investigado pode responder por organização criminosa, falsidade ideológica e obstrução de justiça.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha os desdobramentos do caso para garantir a proteção das prerrogativas da classe e auxiliar na identificação de eventuais registros fraudados. Para as autoridades, esta operação é um duro golpe na comunicação das facções criminosas, que investem cada vez mais em “especialistas” para tentar burlar o sistema estatal. A PF continua a análise dos dados apreendidos para identificar quais processos foram comprometidos e se houve a participação de outros envolvidos no esquema.
