Documento aponta repasses de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag Investimentos para empresa de consultoria do ex-prefeito.
O cenário político baiano e nacional entrou em ebulição nesta semana após a divulgação de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envolvendo o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Diante dos dados que apontam movimentações financeiras consideradas “expressivas”, deputados da base governista já protocolaram pedidos para a convocação do vice-presidente do União Brasil na CPI do Crime Organizado (ou CPI do Banco Master), que investiga fraudes bilionárias no setor financeiro.
Os Valores: Segundo o relatório de inteligência financeira, a empresa A&M Consultoria Ltda., de propriedade de ACM Neto e sua esposa, recebeu aproximadamente R$ 3,6 milhões entre dezembro de 2022 e maio de 2024. Os pagamentos foram efetuados pelo Banco Master e pela Reag Investimentos, instituições que estão sob a lupa das autoridades devido a conexões com Daniel Vorcaro, banqueiro recentemente preso.
Argumento da Convocação: O deputado Marcelino Galo (PT) e outros parlamentares argumentam que as explicações de Neto sobre “análises político-econômicas” precisam de maior detalhamento técnico. “A pergunta é por que um banco envolvido em um escândalo bilionário pagaria valores milionários por consultoria a um político que não exerce cargo técnico na área financeira”, questionou Galo.
Defesa de Neto: Em vídeos publicados em suas redes sociais, ACM Neto reagiu com veemência, classificando o vazamento dos dados como uma “perseguição política” para atingir sua pré-candidatura ao governo da Bahia em 2026. Ele afirmou que os serviços foram prestados legalmente após o fim de seu mandato, com notas fiscais emitidas e impostos pagos. “Pode vir quente que estou fervendo”, disparou o líder político.
Desdobramentos Jurídicos: Neto informou que acionará o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o vazamento de informações sigilosas. Enquanto isso, o ministro Flávio Dino concedeu salvo-conduto a outros investigados no mesmo caso, o que pode abrir precedentes para as estratégias de defesa de todos os citados no relatório do Coaf.
