Mudanças tributárias e estratégias de preços da estatal pressionam o custo do transporte e podem gerar efeito cascata na inflação de alimentos.
O consumidor brasileiro deve se preparar para uma nova pressão nos preços dos combustíveis neste mês de março. A combinação entre a atual política de preços da Petrobras, que prioriza o custo de oportunidade, e o fim gradual da desoneração sobre o diesel promete impactar não apenas os motoristas, mas toda a cadeia produtiva, elevando o custo do frete e, consequentemente, o preço final dos produtos nas prateleiras.
Fim da Isenção: Após um período de alívio nos tributos federais (PIS/Cofins), o governo federal concluiu o processo de reoneração do diesel. A medida, que visa recompor o caixa da União, adiciona centavos importantes ao preço do litro na bomba, afetando diretamente os caminhoneiros e as empresas de logística.
A Estratégia da Petrobras: Sob a gestão atual, a estatal tem buscado equilibrar a paridade internacional com o mercado interno, mas a volatilidade do barril de petróleo no exterior tem dificultado a manutenção de preços baixos. Especialistas explicam que, embora a Petrobras tente “abrasileirar” os preços, ela não pode se descolar totalmente do mercado global sem comprometer seus investimentos.
Efeito Cascata: O diesel é o combustível que move o Brasil. Quando o seu valor sobe, o custo do transporte de cargas acompanha a alta. O resultado é sentido rapidamente no setor de serviços e no supermercado, especialmente em itens básicos como frutas, legumes e carnes, que dependem do transporte rodoviário.
Cenário para 2026: Analistas de mercado apontam que a tendência para o restante do ano é de instabilidade. A recomendação para o consumidor é reforçar o controle de gastos e, para os empresários do setor de transportes, revisar contratos de frete para evitar que a margem de lucro seja totalmente consumida pelo aumento do combustível.
