Análise técnica do IPED revela que organização de arquivos em pastas não vincula mensagens a destinatários, desmentindo lógica usada pelo ministro do STF.
A polêmica envolvendo supostas mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo técnico neste sábado (7). Informações extraídas por softwares da Polícia Federal e análises de peritos especializados contradizem a justificativa apresentada pelo ministro para negar o contato com o dono do Banco Master.
A Versão de Moraes: Em nota oficial divulgada na última sexta-feira, o ministro afirmou que as capturas de tela (prints) das conversas enviadas à CPI do INSS estavam vinculadas a pastas de outras pessoas e não a ele. Moraes argumentou que o fato de um print estar na mesma pasta de um contato específico provaria que a mensagem era destinada a esse terceiro.
O Erro na Lógica: Entretanto, peritos da PF explicaram que o programa IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), usado na extração dos dados do celular de Vorcaro, organiza os arquivos de forma automática baseada em um código criptográfico chamado “hash”. O software cria pastas usando os dois primeiros caracteres desse código (ex: uma pasta “B” para um arquivo com hash iniciado em “B”). Portanto, o fato de um print e um contato estarem na mesma pasta é uma coincidência técnica do sistema e não indica relação entre o remetente e o destinatário da mensagem.
Provas Recuperadas: A perícia conseguiu recuperar mensagens de visualização única enviadas por Vorcaro a partir de anotações do seu bloco de notas. Em um software específico de extração, ao qual se teve acesso, o número e o nome do ministro Alexandre de Moraes aparecem vinculados ao envio das mensagens no dia 17 de novembro do ano passado.
Negativas de Terceiros: A tese de Moraes — de que as mensagens seriam para outros — também perde força com os depoimentos dos citados. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Irajá Abreu, cujos contatos apareceram nas mesmas pastas dos prints devido ao sistema da PF, negaram veementemente ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro naquela data.
