A queda nas ações e o prejuízo nos cofres da rede de supermercados, com sede no Maranhão, foram causados pela descoberta de uma ‘fraude’ na supervalorização de R$ 1,1 bilhão em estoques no balanço de 2024.
O Grupo Mateus, uma das maiores redes de supermercados do Brasil e que recentemente expandiu suas operações para a Bahia, enfrenta uma crise financeira sem precedentes. Na semana passada, o mercado foi abalado pela divulgação de um prejuízo bilionário, culminando em uma queda de 14% nas ações do grupo, o que representa a perda de **R$ 1,9 bilhão** em poucos dias. O valor mercadológico da companhia caiu de R$ 6 bilhões para R$ 4,9 bilhões, enquanto o patrimônio líquido encolheu em R$ 695 milhões.
A Fraude e a Supervalorização
O rombo nos cofres do Grupo Mateus foi atribuído à descoberta de uma “fraude” no balanço de 2024. Segundo o Valor Econômico e o Times Brasil, foi constatada uma supervalorização de R$ 1,1 bilhão em estoques.
Especialistas ressaltaram que a falta de transparência sobre as distorções e a comunicação tardia agravaram a tensão com o mercado. O caso expôs a “gestão precária dos inventários”, cuja realização esporádica teria mascarado desvios e prejuízos operacionais.
Histórico e Falhas de Compliance
O Grupo Mateus, fundado por Ilson Mateus Rodrigues e sediado no Maranhão, opera sob diversas marcas (Mix Mateus, Mateus Supermercados, Hiper Mateus, Eletro Mateus e Camiño) e abriu capital na Bolsa de Valores em 2020.
A crise reacendeu o debate sobre a importância do compliance. Foi divulgado que, em 2021, a auditoria Grant Thornton já havia listado 42 deficiências moderadas na companhia, que desapareceram dos relatórios seguintes sem explicações. A recente entrada da auditoria Forvis Mazars trouxe o tema de volta, levantando questionamentos sobre a qualidade do monitoramento contábil.
Apesar da repercussão, o Grupo Mateus ainda não se pronunciou sobre o caso.
