Ato administrativo questionável: contratos para festas e eventos estão sendo firmados sem concorrência pública, levantando suspeitas de favorecimento e prejuízo ao erário municipal.
O princípio da administração pública é claro: o dinheiro do contribuinte exige transparência. Contudo, em Lauro de Freitas, a regra da concorrência parece ter sido abandonada em prol da exceção. Há quase 11 meses, a Prefeitura tem optado pela contratação direta ou dispensa de licitação para a realização de diversos eventos e festividades na cidade. Essa sequência de atos levanta sérias suspeitas sobre a legalidade dos gastos e impõe a pergunta que não quer calar: a quem interessa a opacidade dos contratos?
11 Meses de Contratação Direta: O Abuso da Exceção
Pela Lei de Licitações (Lei nº 14.133/21), a dispensa é um instrumento legal restrito a emergências, calamidades ou casos onde a competição é inviável. No entanto, a realização contínua de eventos, que deveriam ser planejados e licitados, indica uma falta crônica de planejamento ou, o que é mais grave, um direcionamento nos gastos públicos.
A repetição do modelo de contratação direta por um período tão extenso sugere que a exceção virou a regra em Lauro de Freitas. Com isso, a gestão não apenas burla o mecanismo legal que visa garantir o melhor preço, mas também mina a confiança da população na lisura dos procedimentos.
O Custo da Não-Concorrência
O principal perdedor quando se anula a licitação é o cofre público. Sem a competição de mercado, a Prefeitura se priva da oportunidade de contratar o serviço pelo menor valor, resultando em contratos firmados com preços potencialmente inflacionados.
O questionamento é evidente: se o processo fosse aberto, qual seria a economia gerada? O dinheiro desperdiçado em sobrepreços de eventos poderia ser investido na infraestrutura básica, na manutenção de escolas ou na compra de insumos para a saúde municipal. Ao beneficiar empresas específicas com a contratação direta, a administração penaliza toda a sociedade.
A Cobrança Popular e a Omisão Institucional
A denúncia pública exige uma resposta imediata e clara da Prefeitura, que deve detalhar o valor total desses contratos diretos e justificar o motivo de não ter conseguido planejar a realização de eventos ao longo de quase um ano.
É fundamental, neste momento, a atuação do Ministério Público Estadual (MP-BA) para investigar a legalidade desses contratos e a performance da Câmara de Vereadores de Lauro de Freitas, que tem o papel constitucional de fiscalizar as ações do Executivo municipal. A inação diante de uma denúncia tão grave significa cumplicidade.
