A Bahia vive um boom na criação de cursos de Medicina. Em apenas dois anos (2024 e 2025), o estado ganhou autorização para oito novas graduações na área, adicionando 568 vagas ao total. A expansão coloca a Bahia em destaque no Nordeste, mas levanta um debate sobre a qualidade do ensino e o alto custo, com mensalidades que chegam a R$ 12.914. As informações são de um levantamento da FMUSP, baseado em dados do MEC.
Liderança de Vagas no Nordeste
Com 568 novas vagas autorizadas, a Bahia lidera a abertura de cursos de Medicina no Nordeste (empatada com o Pará) e aparece em segundo lugar no Brasil, atrás apenas do Ceará (com 636 vagas), no período entre 2024 e 2025.
As novas graduações estão localizadas em cidades do interior como Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista, Luís Eduardo Magalhães, Camaçari, Feira de Santana e Jequié, refletindo um movimento de “interiorização” do ensino.
Mensalidades Elevadas
O custo para cursar Medicina em instituições privadas na Bahia é um dos pontos mais altos:
- Unifacs (Salvador): R$ 12.914
- FTC (Feira de Santana): R$ 12.801,79
- Unex (Vitória da Conquista): R$ 11.655
- Unifacemp (Santo Antônio de Jesus): R$ 10.450
Em contraponto, a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) apresenta mensalidade de R$ 7.660.
O Debate entre a Oferta e a Qualidade
A expansão das vagas é vista de maneiras opostas por entidades do setor:
- A Favor da Interiorização (Semesb): Para Carlos Joel, presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior da Bahia (Semesb), a maior oferta no interior é fundamental para combater a concentração de médicos nas capitais e preencher a lacuna de profissionais em cidades menores.
- Preocupação com a Qualidade (Cremeb): Otávio Marambaia, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), manifestou preocupação. Segundo ele, muitas destas novas graduações são ofertadas com “estrutura pífia, déficit de professores e sem nenhuma condição de campos de estágio”, o que pode resultar em médicos com “insuficiência técnica, ética e pedagógica”.
Marambaia também contesta a “falácia” de que os médicos não querem atuar no interior, argumentando que os profissionais buscam regiões que ofereçam condições adequadas de trabalho.
