Doença genética e crônica provoca o espessamento do músculo cardíaco e figura como uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens.
A confirmação de que o fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos, faleceu em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica trouxe à tona o debate sobre a importância da avaliação médica rigorosa na prática de esportes de alto rendimento. O laudo médico contraria as primeiras suspeitas de bastidores, que apontavam um quadro agudo de hipoglicemia, e joga luz sobre uma patologia cardiovascular muitas vezes silenciosa.
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença predominantemente genética e hereditária, caracterizada pelo espessamento anormal das paredes do músculo cardíaco, em especial no ventrículo esquerdo. Esse aumento de volume torna o miocárdio mais rígido, dificultando o relaxamento do órgão e a ejeção adequada de sangue para o restante do corpo. Além da restrição mecânica ao fluxo sanguíneo, a desorganização das fibras musculares do coração altera a condução dos estímulos elétricos, criando um ambiente propício para o surgimento de arritmias graves.
Especialistas em cardiologia do esporte alertam que a condição é frequentemente assintomática, o que significa que o indivíduo pode conviver com a alteração estrutural sem manifestar qualquer sinal de alerta por anos. Contudo, quando submetido a estressores físicos extremos, como treinos exaustivos de hipertrofia ou competições de alta intensidade, o coração hipertrofiado pode entrar em colapso abrupto, resultando em síncope ou morte súbita.
O diagnóstico precoce da cardiomiopatia hipertrófica é fundamental para a prevenção de desfechos fatais e é realizado por meio de exames clínicos de rotina, incluindo o eletrocardiograma e o ecocardiograma. O tratamento varia de acordo com a gravidade de cada caso, englobando o uso de medicamentos betabloqueadores para controlar os batimentos, restrições personalizadas à carga de exercícios e, em cenários de alto risco, a implantação cirúrgica de um cardiodesfibrilador interno para reverter arritmias letais de forma automática.
