Poliane França Gomes foi capturada em Salvador com R$ 190 mil em espécie. Investigações apontam que ela transmitia ordens para ataques e lavava dinheiro do Bonde do Maluco.
A advogada Poliane França Gomes, presa na manhã desta quinta-feira (27) durante uma grande operação policial, é apontada pelas autoridades como uma peça-chave na estrutura financeira e estratégica do Bonde do Maluco (BDM). Capturada em sua casa na Ladeira do Bambuí, em Salvador, Poliane estava com R$ 190 mil em espécie, além de joias, celulares e um contador de dinheiro, evidências do enriquecimento obtido com as ações criminosas da facção.
Função Estratégica na Facção
Fontes policiais indicam que Poliane França Gomes exercia uma função de liderança e era companheira de Leandro da Conceição Santos Fonseca, vulgo “Léo Gringo” ou “Shantaram”, o chefe do BDM, que está detido em um presídio de segurança máxima em Serrinha.
Poliane teria iniciado seu vínculo com a facção prestando “serviços jurídicos” a membros presos, mas o envolvimento se aprofundou após o relacionamento íntimo com Léo Gringo.
- Porta-Voz e Ameaças: De dentro da cadeia, Léo Gringo utilizava a advogada como sua porta-voz. As investigações revelam que Poliane transmitia ordens para ataques, coordenava articulações territoriais e fazia cobranças contra grupos rivais. Segundo um policial, “A liberdade dela significava não só um risco pela organização financeira, mas nas ruas. Era uma voz forte nos ataques e ameaças a desafetos”.
A Operação e a Riqueza do BDM
A operação, batizada de “Rainha do Sul” — em referência à trajetória da advogada na facção — cumpriu 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão simultaneamente na Bahia e em mais quatro estados (Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo).
A riqueza do grupo criminoso era ostensiva. Além do dinheiro apreendido com Poliane, a operação confiscou automóveis de luxo, jet-ski, um haras com cavalos de raça e até uma usina de energia solar avaliada em cerca de R$ 1 milhão.
Ao todo, as medidas judiciais atingem 26 CPFs e CNPJs, com bloqueios que podem chegar a R$ 100 milhões.
